quarta-feira, 20 de junho de 2012

Esquerda e o dilema das alianças


Por Adelson Vidal Alves

 Os petistas Lula e Haddad ao lado de Paulo Maluf. Eles seguirão juntos nas eleições municipais de São Paulo
 
            Duas noticias, uma falsa e outra verdadeira, trouxeram de volta nesta semana o debate sobre a política de alianças por parte da esquerda. A primeira, anunciada pela grande mídia, dava conta de um acordo político que envolvia o PSOL e partidos de direita como PSDB e DEM na cidade de Resende, interior do Rio de Janeiro. A segunda, tragicamente verdadeira, dava conta de uma aliança entre Paulo Maluf e o petista Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo.
            A primeira noticia foi rapidamente desmentida pela direção estadual do PSOL, mas ainda sim deu tempo para muita gente questionar o moralismo do partido na política de alianças. De fato, se a noticia se confirmasse, o Partido Socialismo e Liberdade estaria em um tempo recorde, jogando fora toda a credibilidade que conseguiu junto a setores da sociedade desiludidos com os rumos do PT.
            Não se trata de sectarismo, mas de um critério mínimo que preserve um programa político alinhado as demandas populares que a esquerda sempre abraçou.          
            Partidos como o PSTU, defendem uma aliança estreita entre os partidos revolucionários (PCB, PSTU e PSOL), considerando todas outras legendas como burguesas ou chapas-branca. Desconsideram-se assim as particularidades regionais, assim como a conjuntura nacional oscilante.
            De minha parte, tenho defendido que dentro de um contexto complexo e uma sofisticada pluralidade dos sujeitos sociais do mundo moderno, a esquerda precisa ampliar arcos de alianças que superem a dos aliados tradicionais. É preciso estabelecer o inimigo a ser batido, os objetivos a serem alcançados, sem, contudo, descaracterizar o programa original.
            A aliança Maluf/Haddad em São Paulo é justificada por muitos como sendo necessária para derrotar o PSDB de José Serra. Não faz sentido.
            O objetivo de vencer os tucanos deveria ter como pano de fundo a recuperação de uma política popular que viesse a trabalhar as demandas sociais do povo paulistano. Aliando-se a Maluf, o PT acena para uma política de vale tudo, sem nenhum elemento que convença o eleitorado de algo novo nas propostas de governo. Sem falar que consolida uma já anunciada ação partidária com vista exclusiva a chegada ao poder, sem uso de nenhum critério programático.
            A entrada de Maluf na campanha petista já afastou uma importante aliada do campo democrático-popular. A ex-prefeita Luiza Erundina desistiu de ser vice de Haddad. A vaga deve ser dada ao PC do B, sempre atento às sobras e desprovido de qualquer senso ético.
            O dilema das alianças deve ser enfrentado pela esquerda com flexibilidade, levando em conta a conjuntura atual, o que não significa, entretanto, o abandono de algumas regras básicas que garantam sua coerência programática.

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