quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Os excluídos contra o capitalismo

Por Adelson Vidal Alves



           Marx no século XIX pensava que os operários fabris seriam os coveiros do sistema capitalista. Para o pensador alemão a socialização da produção e o avanço das forças produtivas criaria uma ampliação do proletariado, assim como a degradação da vida social dos mesmos, o que criaria as condições para uma revolução social contra o sistema do capital.
          Hoje, no século XXI, constatamos que Marx errou. O operariado diminuiu e a luta dos trabalhadores fez avançar vários direitos trabalhistas e uma elevação global de sua renda. Entretanto, a reorganização do capitalismo impôs uma reestruturação produtiva que abriu espaço para o aprofundamento da exploração da mais valia relativa e assim uma profunda metamorfose do ser social do trabalho.
         Os sindicatos e as entidades de classe perderam força, o mundo do trabalho se diversificou e fragmentou, novos paradigmas de luta como as questões raciais e de gênero surgiram no horizonte e o sistema econômico global criou uma multidão de excluidos, desorganizados politicamente mas que cada vez mais vão reagindo a sua situação. A esquerda parece incapaz de compreender tamanha mudança. Se agarra dogmaticamente a jargões ultrapassados, faz análises conjunturais sob conceitos que já não dão conta de nossa nova realidade, e pior, se organizam anacronicamente para a luta. O resultado é que as novas forças sociais emergentes do anticapitalismo vão buscando formas inovadoras de luta. Pelas redes sociais, em novos movimentos sociais ou mesmo em pequenos grupos debate, em comum o fato de rejeitarem as formas hierarquizadas e burocratizadas dos partidos políticos.
          Na Europa, onde a esquerda sempre foi forte, esta não consegue ser a voz destes novos excluidos do capitalismo globalizado. Os rejeitados do capitalismo global mostram uma capacidade incrível de auto-organização, mas pecam grosseiramente no momento de criar alternativas a ordem estabelecida, ou seja, aplicam golpes ao capital, mas não conseguem articular um novo modelo societal.
          Os partidos políticos ainda são os grandes organizadores universais da construção de um novo poder, mas precisam se reinventar para acolher a demanda democrática dos novos atores sociais anti-capital.
         Diante de uma  crise econômica corremos o risco de em meio as fragmentações e fragilidades do capitalismo sofrermos uma derrota política e ideológica que refaça a organização da exploração e bloqueie a construção de um mundo mais solidário e humano.

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