Por Adelson Vidal Alves

Formatado dentro de uma concepção
plural de partido, o PT aparece como grande força de esquerda, com potencial de
se transformar na principal organização política de caráter revolucionário. Entretanto,
as primeiras análises e ações do partido o colocavam em relação conturbada com
o jogo democrático.
Dentro de uma concepção “não-aliancista”, o PT vai concentrar sua atenção nas mobilizações de ruas, mesmo que sem abandonar a disputa institucional. O sectarismo de suas primeiras concepções da disputa política fará a legenda boicotar o colégio eleitoral, enfraquecendo as forças progressistas dentro dele. Vai também rejeitar a homologação da Carta de 1988, que ampliava e avançava os direitos sociais, civis e políticos do povo brasileiro.
Dentro de uma concepção “não-aliancista”, o PT vai concentrar sua atenção nas mobilizações de ruas, mesmo que sem abandonar a disputa institucional. O sectarismo de suas primeiras concepções da disputa política fará a legenda boicotar o colégio eleitoral, enfraquecendo as forças progressistas dentro dele. Vai também rejeitar a homologação da Carta de 1988, que ampliava e avançava os direitos sociais, civis e políticos do povo brasileiro.
As mudanças internas do Partido
dos trabalhadores, principalmente em meado das décadas de 1990, caracterizarão
uma guinada profunda na visão do partido em relação a luta política moderna. Em
seus documentos percebe-se uma correta avaliação da complexidade de nossa
realidade econômica e social, o que de fato lhe credenciará como uma força
política potente na disputa pelo poder institucional. O preço, contudo, foi o afastamento
de suas bases mais radicais, assim como o rebaixamento de seu programa. O
crescimento eleitoral foi visível e intenso, que terminou com a eleição
presidencial em 2002, dentro de um leque de alianças heterogêneo e de centro
esquerda.
Como partido de governo emplacou
uma gestão conservadora, distante da mobilidade da sociedade civil que o gerou
e em total alinhamento com o status quo. Seu projeto empobrecido de poder
revelou sua face autoritária e antirrepublicana, principalmente quando veio a
luz os indícios de existência de um amplo sistema de corrupção, que garantia a
governança petista através de subornos aos agentes de um dos poderes de nossa
república. Pior, o partido recusou as evidências de corrupção, elegeu a
imprensa como criadora da “farsa” e principal instrumento de calúnia contra o
governo.
O PT tinha todo o direito de
criticar a sentença dada pelo STF aos condenados na ação que julgou o episódio.
Poderia também debater a cobertura midiática, sensacionalista e exagerada, mas
jamais instigar sua militância contra os resultados de um julgamento que correu
dentro das normalidades de um tribunal democrático. Não poderia, também, jogar
nas costas da imprensa o peso de seus desvios éticos, atacando
irresponsavelmente um dos pilares do funcionamento da democracia. Por fim, é inadmissível
que um partido erguido sob a luta contra a ditadura aceite que um de seus
parlamentares desobedeça publicamente a sentença de nossa Suprema Corte,
fazendo de seu ato um desafio a harmonia dos poderes e o funcionamento da
institucionalidade republicana. A historia do PT junto a democracia brasileira
nunca foi de grandes amores.
Não há sinal de que nosso
ordenamento democrático esteja ameaçado de cancelamento sob o atual governo, mas
também não há uma segurança de que não vá ocorrer pequenas rupturas nas regras
do jogo, caso o partido hegemônico seja ameaçado no poder.
Esperamos que o Partido dos Trabalhadores
não vá agir como quem sendo o dono da bola só aceite seguir o jogo enquanto
estiver ganhando. Esperamos que não levem a bola embora quando o jogo virar contra ele.
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