Por Adelson Vidal Alves

Encomendado pela Liga dos
Comunistas, o Manifesto foi escrito por Karl Marx em 1847 e publicado em 1848,
a partir de um esboço elaborado por Friedrich Engels intitulado “princípios do
Comunismo”. No Manifesto já se percebe a utilização sistemática do materialismo
histórico, método de interpretação da realidade desenvolvido por Marx e Engels
em obras anteriores, como “A ideologia
Alemã” e nas “Teses sobre Feuerbach”.
O curto e rico documento dos
dois fundadores do socialismo-científico é mais que um simples programa
revolucionário para as classes trabalhadoras. Suas análises e previsões mantém uma
incrível atualidade. Quem se assusta nos dias de hoje com o processo acelerado
de globalização da produção capitalista, não leu ou não percebeu que Marx-Engels
já previam neste importante escrito a mundialização do mercado capitalista,
como exigência da lógica do capital. É formidável também a elaboração teórica
de nossa dupla em definir as contradições do sistema capitalista, elogiado por
seu dinamismo, mas condenado por sua injustiça. Os autores identificam que o capitalismo
produz não só as condições de sua própria destruição, mas principalmente os “coveiros”
de sua morte, a saber, o proletariado. Este, aglomerado dentro das fábricas,
unificados por uma organização comum, uma exploração comum, uma vida cultural
comum. Potencialidades para o desenvolvimento de sua ação revolucionária.
Contudo, o Manifesto também
apresenta limites, aliás, como qualquer outro texto de sua época. Ao elaborar a
teoria do acúmulo do capital, o documento prevê um empobrecimento acelerado dos
trabalhadores, devido a busca de lucros maiores por parte da burguesia através
da “mais-valia absoluta”. Marx e Engels irão então construir a ideia de que o empobrecimento
brutal dos trabalhadores acabaria por obrigá-los a um enfrentamento mais forte
com as classes dominantes, o que culminaria em uma guerra civil, que por sua
vez, acabaria com uma explosão violenta por parte do proletariado, que tomaria
o poder de Estado.
Basta irmos à porta de uma
fábrica moderna para percebermos que não foi isso que aconteceu. O avanço
tecnológico possibilitou lucros maiores do capital através da “mais valia
relativa”, que ao mesmo tempo permitiu aumento nos salários, e consequentemente,
uma vida média de consumo a grandes setores do proletariado.
A concepção de Estado como “Comitê
executivo das classes dominantes”, também parece superado pela história. As
lutas populares modernas abriram caminho para Instituições estatais que
possibilitam conquistas de espaço por parte das classes subalternas. O
parlamento eleito por sufrágio universal, pressionado por organismos coletivos
cada vez mais plurais, é uma novidade em relação ao tempo de Marx. Hoje as
classes dominantes não podem se manter no poder apenas com o uso da força, é
preciso negociar, garantir sua cultura como hegemônica. O poder se tornou mais
complexo, o Estado ampliado e a luta por revoluções algo muito mais difícil.
Ainda sim, o Manifesto
Comunista é um documento de suma importância para o mundo, particularmente para
os que sonham a construção de uma nova ordem social. 165 anos depois, este documento
guarda uma incrível fonte de reflexão e inspiração para a transformação da
sociedade.
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